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Um dia com a Família Heinrichs

O dia começava as seis para mim e minha irmã Julia. Cada uma se arrumava e tínhamos que estar prontas as 6:45. Para o Pai Ulf o dia começava mais cedo, pois quando acordávamos, ele já estava saindo. Para a mãe Ina tudo isso dependia do turno que ela tinha pego no trabalho (ela era professora de um Kindergarten). Eu e minha irmã saímos de casa as 6:50 e andávamos até o ponto de ônibus. O ônibus chegava e passava por vários pequenos Dorfs, até que chagávamos na escola umas sete e vinte.

Chegando na escola, íamos direto para o andar dos armários e guardávamos nossos casacos. Depois subíamos e esperávamos o sinal conversando com os outros intercambistas, tanto brasileiros quanto alemães. Quando o sinal tocava, subíamos para a sala. Nós, brasileiros, precisávamos fazer 4 aulas e pegar as assinaturas dos professores, para provar que estávamos na aula, e depois podíamos ir embora. Eu e as outras brasileiras que estudavam em Halberstadt íamos até o centro da cidade para passear, comer e esperar que nossas irmãs alemãs acabassem o dia de aula.

Dependendo do dia, minha irmã Julia tinha 6 ou 8 aulas, então seu horário também variava. Tinha dias que eu pegava o ônibus sozinha para casa, e outros eu a esperava no ponto de ônibus, ou na frente da escola, para irmos embora juntas.

Chegando em casa, as vezes ficávamos um pouco sozinhas, pois não havia ninguém em casa, ou as vezes a mãe Ina já estava em casa. Julia fazia a lição de casa, e muito freqüentemente os intercambistas e seus irmãos e irmãs combinavam de se encontrar e fazer algo juntos.

De noite, Ina fazia a janta, o que às vezes era comida quente, e as outras vezes era um lanche co pão, frios e salada. Também preparávamos o lanche para levar para a escola e para o trabalho no dia seguinte. Depois da janta assistíamos TV, jogávamos cartas ou algum outro jogo, mas minha família sempre dizia que era uma pena ser inverno, pois no verão eles passavam muito tempo fora de casa e eles gostariam de me mostrar isso, mas não podiam.

Nos finais de semana, minha família me levava sempre para fazer algo diferente. Conheci as cidadezinhas da redondeza, viajei para a casa de praia da família que ficava no Ostsee, e fomos até Braunschweig, que é uma cidade maior, para fazer compras.

A convivência diária com a minha família alemã fez que nós nos conhecêssemos melhor, e a separação no aeroporto foi difícil. Todos nós intercambistas, alem de ganhar uma experiência que dura para a vida inteira e que será muito útil, tanto hoje como no futuro, ganhamos também uma segunda família, da qual não nos esqueceremos.

Créditos: Paula Kakimoto